Da Redação


ESTE ESPAÇO – Reforço que este espaço virtual não está ligado a qualquer grupo político. Ele é nosso e atemporal. Não depende de verba. É um domínio gratuito, que não faz apologia a ninguém.

 

ENQUETE – Às vezes, quando eu passo em frente à Câmara sinto vergonha de ser mossoroense. E você, o que sente quando passa em frente à CMM?

 

TUDO COMO ANTES – Sempre tudo como antes. Mas esta semana aconteceram coisas boas. Graças a Deus.

 

SAUDADES DA FACULDADE – Estou com saudades da faculdade. Do Curso de Comunicação Social, de tudo ali, inclusive das disputas, que sei cada dia mais acirradas. Dos amigos, de Fernando Leite, Mário Ilo, Calixta. Saudades do pessoal e do café do Decom. É lá onde me acordo.

 

UMA TARDE POÉTICA – Por que esta tarde me parece mais poética que as demais? Luminosa como uma fogueira, teus olhos bailam nesta tarde. Sou vigia de mim e nada mais. Eu canto as solidões dos dias, as imensidões em mim, meu coração como uma grande alvorada é sempre cheio de imprecisões.

 

TEATRO – Nunca mais estive numa peça de teatro. Nunca mais houve uma peça legal. Soube de um grupo que está para vir. Vou atrás de informações.

 

EDUARDO THOMÉ – Está quase pronto para o batente. Vai ficar um pouco de tempo descansando. Segundo o pessoal da Redação tudo vai bem.

 

DAVID LEITE MANDA NOTÍCIAS – David Leite mandou notícias da Espanha. Lançou livro de poemas. Quem esteve por lá foi Clauder e Chico. Ô vidão! Quem dera eu poder ir ali. Nem saio daqui. Êta vida besta, sô!

 

MAS É ASSIM MESMO – É isso mesmo. Casa, trabalho, igreja, faculdade, casa, trabalho, igreja, faculdade. Amém.

 

O CURIOSO CASO DE BENJAMIM BUTON – Ontem assisti o filme. Muito bom. Ótimo mesmo. Um filme que traz muitas reflexões sobre a vida e o tempo, o valor das pessoas. Há um personagem que conta que sete raios já o atingiram. Acho um personagem fantástico. Ele solta uma frase mais ou menos assim: “Sabe, Deus me lembra sempre que é uma sorte eu estar vivo”.

 

BESTEIRA BESTA – Cala a boca já morreu. Quem manda na minha boca sou eu.

 

DESCARGA ELÉTRICA – Hoje pela manhã, quando eu saía da GAZETA, um jovem sofreu uma forte descarga elétrica quando fazia reparos na Promotoria Pública. Ali, por trás da Riachuelo. Segundo a promotoria, ela não foi comunicada do serviço de hoje pela manhã. O rapaz ficou seriamente ferido no rosto e pode ter seqüelas. Não foi possível pegar os dados dele. Sei que passou mais de 20 minutos de cabeça para baixo, esperando o resgate, pois estava num andaime de quase quatro metros de altura. Foi um choque e tanto. A empresa responsável não foi encontrada para comentar o caso. Ele usava cinto de segurança, mas estava sem material adequado para aquele tipo de serviço. Não usava capacete nem botas, nem luvas. Quando se preparava para colocar outro andaime, ele tocou na rede elétrica e recebeu a descarga. O pior de tudo é que a promotoria contratou uma empresa dessas. Nada a ver. O bom é que, graças a Deus, o rapaz não morreu.



Escrito por Mário Gerson às 16h27
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MATÉRIAS, MATÉRIAS – Bastante ocupado com reportagens, não tive como atualizar este espaço ontem. Infelizmente. Mas acredito que o exemplo da boneca, ilustrou bem este espaço esses dois dias.

 

GREVE DOS CORREIOS – A melhor solução mesmo é alugar uma caixa postal. Com os correios assim, não dá. Lopes já alugou a dele.

 

CHICO DA PREFEITURA – Quer criticar Laíre Rosado por causa do problema com o pessoal da folha de pagamento do hospital e propôs voto de solidariedade. Quando foi com os servidores do município, esse camarada não quis aprovar o voto. Tudo é politicagem mesmo. Ainda chamou um repórter e um promotor de “bostas”. Não é termo que um edil use, mas se tratando de Chico...

 

BOB MELO FOI VÍTIMA DE CHICO DA PREFEITURA – O falecido Bob Melo, que durante muito tempo foi chargista da GAZETA, foi uma das vítimas do Chico Show. Quando faleceu, alguns familiares propuseram a mudança do nome da rua Riachuelo, onde Bob nasceu. Mas quem foi contra? Quem? O velho Chico da Prefeitura. Ele alegou que a população não “queria mudar”. Certamente, na cabeça dele, um artista como Bob não merecia uma homenagem dessas. Chico, você é meu anti-herói.

 

AMARELINHOS E O TRÂNSITO – Muita gente reclamando da atuação dos amarelinhos. Eles estão fazendo o papel deles. Mas realmente alguns têm exagerado. Pensam até em greve, é o boato da vez. Hoje pela manhã, parte da Alberto Maranhão estava interditada, devido a reparos. Os amarelinhos estavam dando a sua contribuição. É isso aí.

 

GILBERTO PREPARA BLOG – Gilberto de Sousa, diretor de Redação da GAZETA, está preparando um blog. Para breve, diz que será diferente de todos os que estão aí. Muito melhor. Isso é ótimo. Fora ao igual!

 

LENDO NADA – Pois é, dois dias sem ler nada. Letargia mental e só alegrias interiores. Que farei com esta solidão em mim?

 

UMA MATÉRIA DE PAULO MARTINS – Paulo Martins foi generoso comigo, fez uma reportagem sobre O Suspiro do Inimigo, meu livro de contos, ganhador do prêmio Rota Batida. Colocou no jornal A Voz da Assembléia de Deus. Está lá, com meu retrato sem óculos. Uma raridade de se ver. Ter matéria assinada por Paulo, me deixa bem comigo. Estou no caminho certo, eu que tantas vezes trilhei outros caminhos. Amém.

 

BILLIE HOLIDAY – Pra lascar com a solidão, só mesmo Billie Holiday. Summertime. Tudo nesta noite e a lembrança do que se foi.

 

BESTEIRA BESTA – Melhor um pássaro na mão do que dois voando.

 

 



Escrito por Mário Gerson às 16h58
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UM EXEMPLO NAQUELA MANHÃ DE SEXTA

 

Ela vende aquelas cartelas de jogos de azar, é bem humorada, ganha a vida sorrindo e dá exemplo aos transeuntes

 

Sábado eu não saí de casa. Mas na sexta, diferente do sábado, onde eu fico observando as pessoas no Centro, fiz o contrário: observei uma vendedora de cartelas de um jogo de azar que está em alta na cidade.

Vestida de Emília, a personagem criada por Monteiro Lobato e que por muito tempo foi a preferida de 9 entre 10 crianças brasileiras, Maria Neuda fica, por muitas vezes, em pontos de ônibus ou em esquinas movimentadas da cidade, vendendo as cartelas.

Mas que há de tão especial nessa vendedora? Respondo que tudo. Maria Neuda estava desempregada. Arranjou o bico de vender cartelas. O que a diferencia das demais, dos outros vendedores, pode-se dizer, é uma coisa que, no comércio de Mossoró, está em muita falta: a simpatia e o atender bem.

Vestida de boneca, sorrindo sempre, Maria Neuda faz ecoar uma voz agradável, cheia de energia: Vamos, minha gente, vamos comprar que a sorte vai chegar. É o grito dela, na esquina, sempre sorrindo. “Cinco pessoas já ganharam comprando comigo”, me revela, com desconfiança, depois que eu digo que sou jornalista. “Você é jornalista mesmo?”, me pergunta. Respondo que sim, que dedilho umas matérias e tenho feito disso, há mais de 10 anos, a minha forma de “ganhar o pão”. Ela sorrir. Quer saber onde trabalho e eu digo a ela que “quem deve fazer as perguntas sou eu”.

Maria Neuda, segundo dados dela mesma, é “a maior vendedora de cartelas da cidade”. Oferece o produto a todos, sem distinção, pois acredita que “qualquer pessoa pode adquirir”.

Conhece técnicas de marketing que aprendemos na faculdade e que, não sei se por displicência ou preguiça, jamais colocamos em prática. Tem um faro para o comércio, mas já foi camareira, arrumadeira e algumas outras coisas que, devido ao tempo, não quis se aprofundar. “Sempre trabalhei bastante. Escreva aí”, diz ela, desconfiada, ainda, de mim, pois que no momento em que dialogávamos, nada de cadernetas ou canetas eu conduzia.

Neuda – posso chamá-la assim, depois de ficarmos íntimos pela desconfiança – me surgiu naquela manhã de sexta, em pleno Centro e me deu um exemplo de vida. Ela merece mais da vida, certamente. Não sei porquê, ainda, a empresa de cartelas não a contratou como terceira garota-propaganda. Merece um lugar ao sol desta cidade tão escassa, nos últimos tempos, de pessoas criativas.



Escrito por Mário Gerson às 15h33
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